Partida de Chico Xavier e o papel de André Luiz
Antonio Cesar Perri de Carvalho
No dia 30 de junho transcorrem 24 anos da desencarnação de Chico Xavier.
Esse histórico médium deixou um legado de cerca de 450 obras mediúnicas, em diversos estilos e assinadas por inúmeros espíritos.
Entre os autores espirituais, destaca-se André Luiz, notadamente pela série sobre o mundo espiritual, agora tendo enredos transformados em filmes cinematográficos.
Em “roda de conversa”, dentro da programação do 19o Congresso Estadual de Espiritismo, promovido pela União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, na capital paulista em junho de 2026, o tema “Contribuições de André Luiz para o Centro Espírita” foi focalizado com a coordenação do dirigente da USE-SP Walteno Silva e que tivemos atuação juntamente com Flávio Ottolini.
Em realidade, um reconhecimento ao papel das obras do autor André Luiz.
O tema motiva-nos desde os tempos dos estudos iniciais nos tempos de juventude, em nossa terra natal – Araçatuba (SP) -, e aprofundou-se no desenvolvimento do programa do COEM – Centro de Orientação e Educação da Mediunidade (originário do C.E. Luz Eterna, de Curitiba) e que implantamos pioneiramente no Estado de São Paulo, a partir do Centro Espírita Luz e Fraternidade, em nossa cidade de origem, em janeiro de 1974.
Episódios e fatos marcantes dos estudos e contatos registramos no livro Chico Xavier. O homem, a obra e as repercussões.1 Mais recentemente, em Entre vidas. Cá e lá, relatamos nossas experiências de vida na interface interexistencial2, fundamentadas em Allan Kardec e ilustrações práticas de obras de André Luiz.
A obra inicial do autor espiritual, Nosso lar3, lançada em 1944, é um marco histórico. Os relatos e descrições sobre a colônia espiritual provocaram impactos, e gerou um filme, um sucesso de bilheteria na cinematografia brasileira. A rigor, escrever sobre essas colônias não tem a primazia de André Luiz.
Há obras que antecederam o tema dessa psicografia de Chico Xavier, desde Emmanuel Swedenborg (Séc. XVII e XVIII) e vários outros4. Mais recentemente George Ritchie, psiquiatra norte-americano (Return from Tomorrow, 1978; no Brasil Voltar do amanhã, 1980).2
Essas informações, com diferentes detalhes e conotações, surgem em várias partes do mundo.
Um aspecto notável são as antecipações de equipamentos e procedimentos tecnológicos com descrições desde Nosso lar.
Após a obra inaugural sobre “a vida no mundo espiritual”, há contribuições específicas desse autor espiritual com recomendações sobre a prática e organização de reuniões mediúnicas com base em princípios expressos nas obras básicas do Codificador.
Na obra Instruções psicofônicas, André Luiz traz apontamentos para a condução de sessões mediúnicas.
Com temas centrais específicos sobre mediunidade, destacamos as obras: Nos domínios da mediunidade, Mecanismos da mediunidade, No mundo maior, e, Desobsessão, que desenvolve especificamente o funcionamento dessas reuniões mediúnicas.
Desde nosso precoce envolvimento com questões práticas e estudos relacionados com mediunidade2, testemunhamos ao longo de seis décadas as repercussões benéficas que as obras de André Luiz prestaram aos centros espíritas.
Para complementar nossa linha de observação, referimo-nos ao conceituado filósofo e jornalista José Herculano Pires que, em diversas obras, faz referências e/ou transcreve textos de André Luiz.
Consideramos as obras de André Luiz - e que citam Kardec -, como subsidiárias, enriquecendo com ilustrações as relações entre as dimensões incorpóreas e as dos encarnados.
André Luiz, traz a visão de espírito desencarnado, observando de lá para cá, as relações e influências espirituais na vida dos encarnados.
Fontes:
1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Chico Xavier. O homem, a obra e as repercussões. 2 ed. São Paulo: USE, Capivari: EME. 2019. 223p.
2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Entre vidas. Cá e lá. Matão: O Clarim. 2026. 223p.
3) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito André Luiz. 4.ed.esp. Nosso lar. Brasília: FEB. 2010. 319p.
4) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Entre a matéria e o espírito. Cá e lá. Matão: O Clarim. 1991. 223p.



